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Usina usa blockchain para rastrear açúcar e calcular créditos de descarbonização

A usina Granelli, que fica em Charqueada (SP), a 200 quilômetros de São Paulo, deve lançar em breve um açúcar mascavo rastreado em blockchain. E está integrando a tecnologia à RenovaCalc, calculadora para emissão de crédito de descarbonização (CBios).

A usina acredita que poderá cobrar mais pelo açúcar por conta da maior confiança no processo, já que é rastreado. A medida visa especialmente mercados no exterior.

“Agora, temos que concluir duas coisas ao mesmo tempo: finalizar a fábrica do açúcar e começar a rodar o sistema de rastreabilidade. É um desafio fazer isso com duas coisas tão diversas”, disse ao Blocknews a diretora jurídica da usina, Mariana Granelli.

A Granelli é uma usina de pequeno porte, afirma ela, relatando um processamento de 360 mil toneladas de cana-de-açúcar ao ano, sendo metade produção própria. Hoje, fabrica etanol, cachaça, açúcar VHP, demerara, mascavo e xarope.

Blockchain para rastrear açúcar deve agregar valor

A empresa está testando blockchain em um projeto da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana). A tecnologia está em desenvolvimento pela Embrapa Informática Agropecuária de Campinas (SP) e a plataforma é a Ethereum. Há outros dois testes também no interior do estado.

A empresa já vende açúcar mascavo, que levou quase quatro anos para ser desenvolvido. O produto sai com a marca Granelli. A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) ajudou a criar um padrão para o produto.

Isso inclui, por exemplo, sabor, cor, docilidade e como deve derreter na boca. Esse tipo de açúcar costuma ser feito de forma manual e não ter padrão. Na Granelli, a produção é industrial e com cogeração de energia a partir de resto de cana.

Mas, o açúcar que rastreado com blockchain terá a marca Terras do Paraíso, com código QR de rastreabilidade e o selo “Tecnologia Embrapa”. No entanto, a ideia é conseguir ainda outros selos. Isso inclui, por exemplo, o de alimento kosher (da comunidade judaica), de halal (da muçulmana) e de vegano.

A Embrapa vai receber um percentual sobre do valor agregado que seu selo gerar, disse Granelli. A empresa ainda não fechou esse valor adicional, mas acredita que é possível porque o mercado externo valoriza o diferencial. Isso porque fora do país há mais leitura de rótulo, além de preocupação com os métodos de produção de alimentos.

Com a evolução do projeto, que a Embrapa pretende expandir para milho e soja, a empresa de pesquisa poderá licenciar a plataforma para quem usá-la, por exemplo. Seria uma forma de remuneração, diz o pesquisador da instituição, Alexandre de Castro.

Ministério se interessou pela tecnologia

Mariana Granelli, que está à frente do projeto, disse que achou simples usar blockchain. E que o projeto chamou a Ministério de Minas e Energia por conta do potencial do uso dos dados de rastreabilidade na RenovaCalc.

Após tratativas, em 2020, surgiu a importância de rastreabilidade dentro do RenovaBio, disse Castro ao Blocknews. O programa tem o objetivo de aumentar a produção de biocombustível no país. Mas, hoje, a calculadora é em planilhas Excel.

Por isso, o teste é para verificar se é possível fazer com que “as informações fluam e não seja necessário subir um relatório e digitalizar os dados”, disse Granelli. Para tanto, busca-se integrar os dados do açúcar mascavo na blockchain da Embrapa com a RenovaCalc.

Assim, a calculadora ganha simplicidade, segurança e agilidade na validação de dados. A usina faz o teste, mas ela ainda está em processo de certificação para ingressar no RenovaBio. O ministério está acompanhando esse processo, segundo a diretora.

De acordo com Castro, da Embrapa, rastrear terceiros que fornecem para as usinas é uma tarefa muito complicada. Na cana-de-açúcar, cerca de 50% do que as usinas moem vem de fornecedores diretos.

Porém, em soja e milho o percentual é de apenas 10%, em um cálculo que ele considera otimista. E estes terceiros têm receios de fornecer seus dados; só que, sem eles, é impossível considerá-los para os CBios.

A parceria da Coplacana com a Embrapa aconteceu em 2019 e foi a primeira da cooperativa com foco em pesquisa em seus mais de 70 anos. Aconteceu por conta da percepção de que, em 2030, a produção vai ter ainda mais tecnologia, de acordo com o gerente técnico corporativo da Coplacana, Francisco Severi

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